#apelidosbooktour

Olá, pessoal!

Estão abertas as inscrições para participar da booktour do meu livro, Apelidos carinhosos.

Para quem nunca participou de uma booktour, é simples assim:

  1. Você recebe o livro na sua casa,
  2. Faz a leitura,
  3. Posta uma resenha no Skoob, instagram ou blog e
  4. Envia o livro para a próxima pessoa da lista realizar o mesmo processo.

E as regras para participar:

1. Morar no Brasil;
2. Ter um perfil no Skoob para adicionar a leitura;
3. Custear as despesas de envio do livro para o próximo participante (o envio de impresso custa menos de 10 reais, fiquem tranquilos!).
4. Enviar o livro no prazo combinado com o próximo leitor.
5. Postar uma resenha ou opinião sobre o livro, preferencialmente no Skoob. A resenha pode ser postada em blog ou instagram também, mas é preciso marcar a leitura do livro no Skoob de qualquer forma, ok?

E então, quer participar?
Basta me enviar um e-mail (guiaugoli@gmail.com) ou direct no instagram (@guilhermeoliescritor) com seus dados para envio do livro. Assim, faremos a montagem do calendário de leituras, de modo que você receba e envie o livro para alguém de um estado próximo ao seu, combinado?

Muito obrigado!

Uma volta a mais

Quando tudo o que é possível dá errado no meu dia, me recuso a descer do ônibus e entrar em casa com aquela energia péssima. Permaneço sentado e dou uma volta a mais com o ônibus.

É como se eu voltasse no tempo e apagasse todas as coisas ruins daquele dia.

Enquanto revejo as casas, comércios e outros estabelecimentos no escuro, sinto que restaurei o dia. Já não estão passando por ali as pessoas apressadas e barulhentas que se esbarram e gritam umas com as outras.

Passo novamente pelo prédio onde trabalho e dá para ver que o escritório está vazio, as luzes apagadas, como se aquela loucura toda de prazos, metas e competências nunca tivesse existido ali.

Com quase duas horas de atraso, finalmente desço e sou recebido pelo meu amor que, com toda preocupação do mundo, me pergunta se estou bem. Pois é, as reclamações que fiz por mensagens mais cedo não devem ter sido nada legais de se receber.

Enfim, com sinceridade digo que sim, está tudo bem. E o que restou daquele dia terrível se diluiu naquela volta a mais que dei.

Agora tudo estava calmo, dentro e fora.

De mim. Do ônibus. Da nossa casa.

Podemos dormir em paz.

Desistir? Não

Fácil, não é. Nunca foi, nunca vai ser. E ninguém disse que seria mesmo.
Motivos pra desistir todos os dias aparecem. Uns mais convincentes, outros mais temperados de drama e carência. Sim, acontece!
Mas eu sigo acreditando, apostando e, por mais clichê que seja, colocando amor em cada ação e projeto que desenvolvo.
Este aqui, em especial, tem demais. Porque nunca desisti dele. Desde quando era um projeto de filme, que virou conto, que se diluiu em várias histórias e que, desde o ano passado, virou meu livro. Tão querido e tão sonhado.
Não sei ainda onde tudo isso vai dar, mas tenho orgulho demais de tudo que estou vivendo com o Apelidos. E já que tem tanto amor e orgulho nessa receita, sigamos juntos.
Obrigado a cada um de vocês que acredita em mim. Devo isso a vocês também.
E é por mim, pelo livro e por vocês que eu não desisto.

Um defeito: ansiedade

Mais uma pra lista das questões sem explicação: nossa mente se preocupa com tanta coisa que se esquece de nos lembrar que precisamos cuidar dela também. Aliás, ela não se esquece, só não manda sinais tão óbvios.

O que ela faz então? Começa a afetar nosso corpo para ver se nos ligamos de vez que tem algo errado. Ainda assim, passamos por todos os médicos possíveis, fazemos todos os exames para descobrir que o problema estava na nossa cabeça.

Acabei de passar por isso.

Mais de um mês sem dormir uma noite tranquila sequer, sempre acordando com uma falta de ar insuportável e preocupado que algo de ruim pudesse acontecer comigo durante o sono. Tudo bem, pensei. Só mais uma crise alérgica, só mais uma surra do tempo seco de São Paulo, logo mais tudo se resolve.

Que nada: o antialérgico agiu, a chuva caiu, mas o Guilherme ainda assim não dormiu.

Deve ser algo mais grave. Hora de consultar o pneumologista para buscar a salvação das minhas noites. Ok. Exames feitos, medicamento receitados… E nada de melhora.

Adivinha só? Os pulmões estavam ótimos, mas a falta de ar continuava.

A pressão subiu igual foguete, a irritação e o cansaço aumentaram… Desmotivação, falta de foco e tantas outras coisas chatas bem nesse período cheio de eventos de lançamento do meu livro.

De repente tudo fez sentido.

A “bendita” ansiedade se manifestando por todo o corpo e me impedindo de fazer as coisas.

Claro que, tendo o 2017 que eu tive, ficaria bem óbvio de perceber que era isso. Mas eu não percebi que estava nesse nível.

E, no momento em que tudo está acontecendo, eu não posso pensar em parar. Aliás, não é que eu não possa. Simplesmente não quero. Fora que, me parece, fugir dos problemas por uns dias não vai fazê-los desaparecer. Eu tiro férias deles. Eles de mim. Mas, na volta, todo mundo se reencontra e conta como foi.

Enfim, depois de muito exame, muitas conversas e desabafos o tal do TAG estava diagnosticado.

Transtorno de ansiedade generalizada. Um nome preocupante. Parece coisa de maluco. Pelo menos para mim pareceu.

“Transtornado, eu? Nossa, mas generalizado não quer dizer que não tem mais volta?”

Não. Nada disso. Nada de pensar dessa forma.

Daqui em diante fui muito bem orientado, medicado e começando o tratamento certeiro.

Cada caso é um caso, mas sabe por que tô postando tudo isso aqui? Pra ficar como alerta mesmo. A gente não pode tratar a nossa mente como a última preocupação.

Aliás, a ansiedade não pode ser tratada como frescura, piada ou ser usada como defeitinho descolado que você cita na entrevista de emprego, sabe?

É muito sério, mesmo! Afeta todo o nosso corpo, nossa rotina e nos deixa com a sensação de que estamos fazendo tudo errado com a nossa a vida.

Fica de olho nisso, tá? Não é brincadeira não e está acontecendo com mais pessoas do que você imagina.

Repostando: o casamento da Aline

Texto escrito em 2016. Graças às lembranças do Facebook consegui resgatar e postar aqui! 🙂

Aline e eu fomos o primeiro amigo na vida um do outro. De brincar até tarde na rua, andar de patins ou mesmo só ficando enfurnados no quarto vendo TV.
Quando mudamos para cidades diferentes, trocávamos cartas, porque só existiu internet acessível depois de muito tempo. Mas ficaram as palavras e as visitas nas férias e feriados.
Crescemos, fizemos faculdade e ainda assim continuamos próximos e dividindo experiências.
Quando nos tornamos adultos, ainda não sabíamos direito como a vida seria e chegamos a apostar que ficaríamos solteiros para nos tornamos dois quarentões que viajariam pelo mundo enquanto o resto da família aumentava.
Nessa mesma época viramos um casal de padrinhos coringa nos casamentos dos irmãos, primos e até de tio!
A curiosidade era saber como seria quando fossem rolar os nossos casamentos, afinal a gente viu que a ideia da solteirice não ia ser tão legal.
Bom, o meu foi em 2015, mas não teve cerimônia.
E o dela foi hoje, um dia que eu nunca vou esquecer, porque poderiam ter escalado o Leandro Hassum pra fazer o meu papel (e talvez a Aline fosse a Ingrid Guimarães, né?).
Tudo o que podia dar errado pra chegar até Bauru, deu. Um despertador que não toca; Um motorista de Uber que começou a tremer e chorar, me fazendo sair correndo no meio do Anhangabaú e entrar correndo no metrô pra chegar no terminal; Um ônibus que para no lugar errado, te faz atrasar para a cerimônia e te deixa xingando no meio da estrada para se acalmar só depois com um taxista piadista que atravessou a cidade voando.
Enfim, fui e agora já estou quase chegando em São Paulo com aquele cansaço gostoso. Afinal, mais vale passar todo o perrengue do que não estar lá.
E foi lindo. E foi emocionante!
E que viva o amor sempre.
E que você não se esqueça de deixar um quartinho guardado pra ele e pra felicidade ficarem hospedados na sua casa sempre. (Mas eles vão ter que ceder a cama pra quando eu aparecer em Bauru, ok?)
Feliz demais por você e pelo Eric.
Amo você!

 

Para o Zé Carlos

O meu tio Zé Carlos, o Ferreira da polícia, foi uma das únicas pessoas que conheci que estava sempre de bom humor e de bem com a vida. Sempre, sempre!

Nunca vou esquecer de quando ele ficou internado aqui em São Paulo depois de fazer uma cirurgia bem complicada na cabeça. Eu passava lá às vezes pra levar aquele jornal horroroso que só tinha tragédia, mas que ele amava ler. E em vez de encontrá-lo abatido, ele estava lá firme e forte, fazendo piada com os outros pacientes e me pedindo pra nunca passar na região da Luz, “porque ali ninguém prestava”.

Aceitava que todo mundo brincasse com ele, mas ficava bem sério quando tentavam interferir na sua vida. Tanto que sempre foi um cara livre, nunca quis saber de se casar e fazia tudo quando dava na telha… Se cismasse que a visita dele já tava longa demais, ele ia embora e ninguém o convencia a ficar. Podia até ser dia de natal ou aniversário dele, não importava! Ele se mandava pra cidade dele, Altinópolis, e aparecia quando dava.

Em tempos quando não havia celular, era um custo encontrar com ele, tinha que ligar na casa do amigo do amigo do amigo pra dizer “Se você encontrar o Zé Carlos por aí, pede pra ele ligar pra nós!”.

E, em vez de ser motivo de briga, acho que sua liberdade e seu bom humor só fizeram inspirar muita gente.

Que pena Zé, que você foi assim de repente. Apesar da saúde ter se complicado nos últimos tempos, eu bem achava que você passaria dos 100 anos e se tornaria um velho rabugento, daquele tipo que não quer saber de nada.

Mas, como sempre, você nunca gostou de marcar a hora de ir embora, então não ia ser diferente dessa vez, né? Vai em paz, Zé Carlos! Tô triste pra caramba. Vamos sentir muito a sua falta!