Meu mundo não é pequeno: sobre aqueles muros invisíveis

Ainda que não exista ódio, discordância, desentendimentos ou qualquer outra coisa ruim e perceptível, muitas vezes criamos muros em volta de nós e, sem querer, nos afastamos de pessoas que gostamos e já tivemos muita afinidade.

Claro que nem sempre somos aquele que ergueu o muro, mas este aqui não é para ser um texto triste que caça culpados por situações assim… Não é! 🙂

Acontece que esses muros são invisíveis e conseguimos ver através deles. As pessoas se afastam, sim, mas ainda enxergamos o que elas estão fazendo, como estão vivendo, se estão bem ou mal.

Mas existe aí algo inexplicável, principalmente para os mais introvertidos, que impede que esse muro se quebre. Acompanhamos meio que de longe a vida de pessoas que temos um grande carinho, seja de modo presencial ou virtual e ficamos felizes pelas conquistas, nos entristecemos com as derrotas, mas não conseguimos nos reaproximar.

Até arriscamos um aceno, um like ou qualquer manifestação mais discreta, mas por dentro estamos com uma vontade enorme de dizer: “Parabéns por isso!”; “Nossa, que orgulho de você!”; “Poxa, que pena que isso aconteceu, conte comigo se precisar…”; ou nem isso, simplesmente queremos chegar perto e dizer “E aí? Tudo bem contigo? Me conta como estão as coisas.”

A gente quer muito, mas não consegue!

Porque o tal muro invisível está ali.

Pode parecer bobagem para alguns, mas esse muro existe e ele é bem forte. Muitas vezes ele é confundido com descaso ou arrogância. O que é compreensível, até.

Só que não é nada disso. Te garanto! Quer dizer, estou falando por mim.

E já que estou falando por mim, hoje escrevo esse texto para tentar quebrar alguns desses muros que ergui ao longo dos anos. Alguns foram levantados sem perceber, outros por motivos pequenos. Porém, como disse lá no começo, a intenção não é caçar culpados!

Então, não sei se vai ser eficiente, mas é uma primeira tentativa.

Lá vai: se você está lendo isso e já não somos mais tão próximos quanto antes, saiba que eu gosto de você e torço pela sua felicidade sempre, ainda que não consiga dizer isso sempre. Saiba também que muitas vezes selecionei seu nome na agenda do telefone para ligar, mas não consegui. Fiz o mesmo nos aplicativos para mandar um simples oi, mas também não consegui. Sim, vou continuar tentando fazer isso!

E se por acaso o seu lado do muro for mais fraco que o meu e, assim, resolver se aproximar, será muito bem-vindo! Sempre há quem tenha mais facilidade nisso, não é mesmo?

Agora, se a gente não se conhece, me diz uma coisa: você já viveu ou vive alguma situação assim? Já pensou em remover alguns desses muros da sua vida? Que tal tentar também?

Como eu disse, os muros existem, mas são invisíveis e, ainda bem, são possíveis de quebrar. Basta a gente querer e tentar.

Meu mundo não é pequeno: o primeiro

Passei a maior parte da minha infância ouvindo coisas do tipo:

Nossa, que pena desse menino brincando sozinho!

O que ele tá fazendo que não vai brincar com as outras crianças?

Precisa arrumar mais coleguinhas, menino!

Olha que coisa… Ele só quer saber de ficar fechado no mundinho dele.

 

Mundinho? Epa, peraí! Meu mundo não é pequeno não! Tem coisa demais pra contar!

Acontece que enquanto eu estava tranquilo com meus pensamentos, o mundo me obrigava a interagir, passando a ideia de que estar sozinho é errado.

Lembra da música? “É impossível ser feliz sozinho…”

Blá. Nunca entendi isso. Porque, de verdade, eu não estava infeliz. Juro que não.

Repetiam tanto que viver daquela forma era errado que eu até comecei a acreditar. Pensava que tinha algum tipo de problema e que precisava de um conserto.

Então, te conto uma novidade: para uma pessoa como eu, cada interação forçada é catastrófica e gera problemas muito maiores.

Vou falar sobre esses problemas em outra oportunidade. Por ora, é só pra entender que foi em meio a tantos problemas que passei a refletir sobre alguns aspectos da minha vida, chegando a certas conclusões:

A primeira: Ser feliz sozinho não é apenas possível, como também é essencial. Caso contrário, você só transfere a responsabilidade dos seus problemas para outra pessoa, para o trabalho, religião… e por aí vai!

A segunda e mais longa: Não existe nada de errado em ser uma pessoa introvertida. Aliás, aqui vai uma curiosidade: você sabia que introversão e extroversão não têm nada a ver com capacidade de comunicação?

Só tem a ver com a forma como a gente reequilibra as nossas energias… Se buscamos mais energia dentro ou fora de nós mesmos.

E não há certo ou errado nisso, meus caros. Afinal, se para um introvertido chegar em um bar lotado na sexta à noite pode parecer uma tortura, para o extrovertido é quase como chegar ao paraíso. Do contrário, para esse segundo cara passar a mesma sexta à noite totalmente sozinho vendo uma série na Netflix é pior do que tratar canal do dente, enquanto o introvertido está em pleno aconchego.

Tem mais: isso não quer dizer que são coisas que se anulam! Quer dizer, o extrovertido pode muito bem ter seus dias de ficar em casa lendo… E o introvertido pode tranquilamente aparecer naquela sua festa de aniversário no karaokê cheio sem se sentir mal. Tudo tem a ver com a energia mesmo. Principalmente quando você sabe escolher como e com quem quer compartilhar seus sentimentos.

Existem outros limites que dever ser respeitados e, por mais que você possa se sentir diferente, lembre-se que as pessoas são diferentes mesmo e que a vida não passa de um grande jogo de aceitação um do outro.

E a terceira: Estar fechado em um mundo mais restrito não quer dizer que ele seja pequeno. Pelo contrário! Enquanto houver uma mente ativa e disposta a prestar atenção nos arredores, bem como a criar muitas coisas, o seu universo acaba sendo muito, mas muito maior!

Ainda assim, sei o quanto é difícil para as pessoas entenderem isso. E como parte dos meus exercícios de reflexão, resolvi começar a escrever algumas das minhas histórias. Algumas coisas serão bem pessoais, mas pode ter certeza que não vai rolar uma exposição exagerada. Mesmo nas palavras, ainda sou um cara reservado! Hahahaha

Contando dessa forma, talvez fique mais fácil de entender.

Ou não. 🙂

Bem-vindo ao meu mundo. Ah, e ele não é pequeno!

*publiquei esse texto pela primeira vez no Wattpad, mas aos poucos vou transferir essa série para cá. 😉