Uma festa por dia

No dia 22 de dezembro completaria 34 anos.

Pouco depois, haveria a festa de Natal da casa dos sogros em Indaiatuba.

Na semana seguinte, passaria a virada do ano em Punta del Este.

E desde julho estava ansiosa.

“Que roupa usar na festa? Qual cardápio servir? E as músicas? Preciso mandar fazer os convites, quero algo lindo! Ai, chega logo dia 22!”

“Que prato levar para a ceia de Natal? Alguma sobremesa também? Será que a sogra vai gostar? Ou será que vai comparar cada prato com sua própria versão, mais elaborada e preparada com dias de antecedência? Não seria melhor encomendar alguma coisa pronta e ficar despreocupada? Melhor né? Nossa, e os presentes de todo mundo, preciso fazer uma lista. Que gostoso! Ai, chega logo dia 24!”

“Levo minha própria toalha para o hotel em Punta? Nunca se sabe… Biquíni ou maiô? Pagar uma academia até dezembro para ficar mais em forma? Que tal algumas sessões de bronzeamento artificial para não chegar tão branca? Ah, uma câmera nova! Passaporte? Não precisa. Ai, qual marca de bronzeador levar? Com certeza shorts novos para o Rafael, os dele estão feios e desbotados e só de pensar nele desfilando de sunga e atraindo os olhares alheios… Ah, se bem que… Ele está comigo, não preciso me preocupar. Ai chega logo dia 27!”

Passou os meses seguintes planejando, pensando em roteiros, possibilidades, o que falaria, o que viveria, quais atitudes tomaria… Calculou cada passo, pensou em cada imprevisto… As duas últimas semanas do ano seriam perfeitas de qualquer maneira!

E foram! Não havia outra possibilidade.

Uma festa de aniversário mais que divertida, com as pessoas que mais amava.

Uma ceia de Natal repleta de elogios e presentes que agradaram a família do marido.

Uma viagem inesquecível, que garantiu aqueles momentos que se eternizam na mente como fotografias.

Mas, vieram janeiro e uma angústia gigante.

E agora?

“Em que focar meus planos? Como gastar meu tempo? Qual o sentido disso tudo? Meses organizando pra passar e virar saudade? Isso não tá certo!”

Choro. Desânimo. Angústia. Ficou arrasada e a falta de propósitos a levou para o fundo do poço.

Teria solução?

Pensou, pensou, planejou, planejou.

“Já sei!”

Como só estava feliz planejando e executando, tratou de organizar a vida da forma que melhor fazia.

Agora vivia uma festa por dia e tornou especial cada momento cotidiano.

O café da manhã reforçado da segunda-feira.

O jantar especial da terça.

O cinema na quarta.

Um bom vinho na quinta.

Uma transa animada na sexta que poderia se prolongar até o sábado.

O programa divertido de domingo à noite para tirar a sensação ruim de fim do fim de semana.

E, claro, todas as festas, viagens e programações especiais ao longo do ano.

Virou produtora e promotora de eventos para manter o coração em paz.

Às vezes se sentia fútil, é verdade.

Mas, ainda assim, nada como viver com algum propósito na vida, não é mesmo?

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