Um defeito: ansiedade

Mais uma pra lista das questões sem explicação: nossa mente se preocupa com tanta coisa que se esquece de nos lembrar que precisamos cuidar dela também. Aliás, ela não se esquece, só não manda sinais tão óbvios.

O que ela faz então? Começa a afetar nosso corpo para ver se nos ligamos de vez que tem algo errado. Ainda assim, passamos por todos os médicos possíveis, fazemos todos os exames para descobrir que o problema estava na nossa cabeça.

Acabei de passar por isso.

Mais de um mês sem dormir uma noite tranquila sequer, sempre acordando com uma falta de ar insuportável e preocupado que algo de ruim pudesse acontecer comigo durante o sono. Tudo bem, pensei. Só mais uma crise alérgica, só mais uma surra do tempo seco de São Paulo, logo mais tudo se resolve.

Que nada: o antialérgico agiu, a chuva caiu, mas o Guilherme ainda assim não dormiu.

Deve ser algo mais grave. Hora de consultar o pneumologista para buscar a salvação das minhas noites. Ok. Exames feitos, medicamento receitados… E nada de melhora.

Adivinha só? Os pulmões estavam ótimos, mas a falta de ar continuava.

A pressão subiu igual foguete, a irritação e o cansaço aumentaram… Desmotivação, falta de foco e tantas outras coisas chatas bem nesse período cheio de eventos de lançamento do meu livro.

De repente tudo fez sentido.

A “bendita” ansiedade se manifestando por todo o corpo e me impedindo de fazer as coisas.

Claro que, tendo o 2017 que eu tive, ficaria bem óbvio de perceber que era isso. Mas eu não percebi que estava nesse nível.

E, no momento em que tudo está acontecendo, eu não posso pensar em parar. Aliás, não é que eu não possa. Simplesmente não quero. Fora que, me parece, fugir dos problemas por uns dias não vai fazê-los desaparecer. Eu tiro férias deles. Eles de mim. Mas, na volta, todo mundo se reencontra e conta como foi.

Enfim, depois de muito exame, muitas conversas e desabafos o tal do TAG estava diagnosticado.

Transtorno de ansiedade generalizada. Um nome preocupante. Parece coisa de maluco. Pelo menos para mim pareceu.

“Transtornado, eu? Nossa, mas generalizado não quer dizer que não tem mais volta?”

Não. Nada disso. Nada de pensar dessa forma.

Daqui em diante fui muito bem orientado, medicado e começando o tratamento certeiro.

Cada caso é um caso, mas sabe por que tô postando tudo isso aqui? Pra ficar como alerta mesmo. A gente não pode tratar a nossa mente como a última preocupação.

Aliás, a ansiedade não pode ser tratada como frescura, piada ou ser usada como defeitinho descolado que você cita na entrevista de emprego, sabe?

É muito sério, mesmo! Afeta todo o nosso corpo, nossa rotina e nos deixa com a sensação de que estamos fazendo tudo errado com a nossa a vida.

Fica de olho nisso, tá? Não é brincadeira não e está acontecendo com mais pessoas do que você imagina.

Repostando: o casamento da Aline

Texto escrito em 2016. Graças às lembranças do Facebook consegui resgatar e postar aqui! 🙂

Aline e eu fomos o primeiro amigo na vida um do outro. De brincar até tarde na rua, andar de patins ou mesmo só ficando enfurnados no quarto vendo TV.
Quando mudamos para cidades diferentes, trocávamos cartas, porque só existiu internet acessível depois de muito tempo. Mas ficaram as palavras e as visitas nas férias e feriados.
Crescemos, fizemos faculdade e ainda assim continuamos próximos e dividindo experiências.
Quando nos tornamos adultos, ainda não sabíamos direito como a vida seria e chegamos a apostar que ficaríamos solteiros para nos tornamos dois quarentões que viajariam pelo mundo enquanto o resto da família aumentava.
Nessa mesma época viramos um casal de padrinhos coringa nos casamentos dos irmãos, primos e até de tio!
A curiosidade era saber como seria quando fossem rolar os nossos casamentos, afinal a gente viu que a ideia da solteirice não ia ser tão legal.
Bom, o meu foi em 2015, mas não teve cerimônia.
E o dela foi hoje, um dia que eu nunca vou esquecer, porque poderiam ter escalado o Leandro Hassum pra fazer o meu papel (e talvez a Aline fosse a Ingrid Guimarães, né?).
Tudo o que podia dar errado pra chegar até Bauru, deu. Um despertador que não toca; Um motorista de Uber que começou a tremer e chorar, me fazendo sair correndo no meio do Anhangabaú e entrar correndo no metrô pra chegar no terminal; Um ônibus que para no lugar errado, te faz atrasar para a cerimônia e te deixa xingando no meio da estrada para se acalmar só depois com um taxista piadista que atravessou a cidade voando.
Enfim, fui e agora já estou quase chegando em São Paulo com aquele cansaço gostoso. Afinal, mais vale passar todo o perrengue do que não estar lá.
E foi lindo. E foi emocionante!
E que viva o amor sempre.
E que você não se esqueça de deixar um quartinho guardado pra ele e pra felicidade ficarem hospedados na sua casa sempre. (Mas eles vão ter que ceder a cama pra quando eu aparecer em Bauru, ok?)
Feliz demais por você e pelo Eric.
Amo você!

 

Para o Zé Carlos

O meu tio Zé Carlos, o Ferreira da polícia, foi uma das únicas pessoas que conheci que estava sempre de bom humor e de bem com a vida. Sempre, sempre!

Nunca vou esquecer de quando ele ficou internado aqui em São Paulo depois de fazer uma cirurgia bem complicada na cabeça. Eu passava lá às vezes pra levar aquele jornal horroroso que só tinha tragédia, mas que ele amava ler. E em vez de encontrá-lo abatido, ele estava lá firme e forte, fazendo piada com os outros pacientes e me pedindo pra nunca passar na região da Luz, “porque ali ninguém prestava”.

Aceitava que todo mundo brincasse com ele, mas ficava bem sério quando tentavam interferir na sua vida. Tanto que sempre foi um cara livre, nunca quis saber de se casar e fazia tudo quando dava na telha… Se cismasse que a visita dele já tava longa demais, ele ia embora e ninguém o convencia a ficar. Podia até ser dia de natal ou aniversário dele, não importava! Ele se mandava pra cidade dele, Altinópolis, e aparecia quando dava.

Em tempos quando não havia celular, era um custo encontrar com ele, tinha que ligar na casa do amigo do amigo do amigo pra dizer “Se você encontrar o Zé Carlos por aí, pede pra ele ligar pra nós!”.

E, em vez de ser motivo de briga, acho que sua liberdade e seu bom humor só fizeram inspirar muita gente.

Que pena Zé, que você foi assim de repente. Apesar da saúde ter se complicado nos últimos tempos, eu bem achava que você passaria dos 100 anos e se tornaria um velho rabugento, daquele tipo que não quer saber de nada.

Mas, como sempre, você nunca gostou de marcar a hora de ir embora, então não ia ser diferente dessa vez, né? Vai em paz, Zé Carlos! Tô triste pra caramba. Vamos sentir muito a sua falta!

Meu mundo não é pequeno: sobre aqueles muros invisíveis

Ainda que não exista ódio, discordância, desentendimentos ou qualquer outra coisa ruim e perceptível, muitas vezes criamos muros em volta de nós e, sem querer, nos afastamos de pessoas que gostamos e já tivemos muita afinidade.

Claro que nem sempre somos aquele que ergueu o muro, mas este aqui não é para ser um texto triste que caça culpados por situações assim… Não é! 🙂

Acontece que esses muros são invisíveis e conseguimos ver através deles. As pessoas se afastam, sim, mas ainda enxergamos o que elas estão fazendo, como estão vivendo, se estão bem ou mal.

Mas existe aí algo inexplicável, principalmente para os mais introvertidos, que impede que esse muro se quebre. Acompanhamos meio que de longe a vida de pessoas que temos um grande carinho, seja de modo presencial ou virtual e ficamos felizes pelas conquistas, nos entristecemos com as derrotas, mas não conseguimos nos reaproximar.

Até arriscamos um aceno, um like ou qualquer manifestação mais discreta, mas por dentro estamos com uma vontade enorme de dizer: “Parabéns por isso!”; “Nossa, que orgulho de você!”; “Poxa, que pena que isso aconteceu, conte comigo se precisar…”; ou nem isso, simplesmente queremos chegar perto e dizer “E aí? Tudo bem contigo? Me conta como estão as coisas.”

A gente quer muito, mas não consegue!

Porque o tal muro invisível está ali.

Pode parecer bobagem para alguns, mas esse muro existe e ele é bem forte. Muitas vezes ele é confundido com descaso ou arrogância. O que é compreensível, até.

Só que não é nada disso. Te garanto! Quer dizer, estou falando por mim.

E já que estou falando por mim, hoje escrevo esse texto para tentar quebrar alguns desses muros que ergui ao longo dos anos. Alguns foram levantados sem perceber, outros por motivos pequenos. Porém, como disse lá no começo, a intenção não é caçar culpados!

Então, não sei se vai ser eficiente, mas é uma primeira tentativa.

Lá vai: se você está lendo isso e já não somos mais tão próximos quanto antes, saiba que eu gosto de você e torço pela sua felicidade sempre, ainda que não consiga dizer isso sempre. Saiba também que muitas vezes selecionei seu nome na agenda do telefone para ligar, mas não consegui. Fiz o mesmo nos aplicativos para mandar um simples oi, mas também não consegui. Sim, vou continuar tentando fazer isso!

E se por acaso o seu lado do muro for mais fraco que o meu e, assim, resolver se aproximar, será muito bem-vindo! Sempre há quem tenha mais facilidade nisso, não é mesmo?

Agora, se a gente não se conhece, me diz uma coisa: você já viveu ou vive alguma situação assim? Já pensou em remover alguns desses muros da sua vida? Que tal tentar também?

Como eu disse, os muros existem, mas são invisíveis e, ainda bem, são possíveis de quebrar. Basta a gente querer e tentar.

Meu mundo não é pequeno: o primeiro

Passei a maior parte da minha infância ouvindo coisas do tipo:

Nossa, que pena desse menino brincando sozinho!

O que ele tá fazendo que não vai brincar com as outras crianças?

Precisa arrumar mais coleguinhas, menino!

Olha que coisa… Ele só quer saber de ficar fechado no mundinho dele.

 

Mundinho? Epa, peraí! Meu mundo não é pequeno não! Tem coisa demais pra contar!

Acontece que enquanto eu estava tranquilo com meus pensamentos, o mundo me obrigava a interagir, passando a ideia de que estar sozinho é errado.

Lembra da música? “É impossível ser feliz sozinho…”

Blá. Nunca entendi isso. Porque, de verdade, eu não estava infeliz. Juro que não.

Repetiam tanto que viver daquela forma era errado que eu até comecei a acreditar. Pensava que tinha algum tipo de problema e que precisava de um conserto.

Então, te conto uma novidade: para uma pessoa como eu, cada interação forçada é catastrófica e gera problemas muito maiores.

Vou falar sobre esses problemas em outra oportunidade. Por ora, é só pra entender que foi em meio a tantos problemas que passei a refletir sobre alguns aspectos da minha vida, chegando a certas conclusões:

A primeira: Ser feliz sozinho não é apenas possível, como também é essencial. Caso contrário, você só transfere a responsabilidade dos seus problemas para outra pessoa, para o trabalho, religião… e por aí vai!

A segunda e mais longa: Não existe nada de errado em ser uma pessoa introvertida. Aliás, aqui vai uma curiosidade: você sabia que introversão e extroversão não têm nada a ver com capacidade de comunicação?

Só tem a ver com a forma como a gente reequilibra as nossas energias… Se buscamos mais energia dentro ou fora de nós mesmos.

E não há certo ou errado nisso, meus caros. Afinal, se para um introvertido chegar em um bar lotado na sexta à noite pode parecer uma tortura, para o extrovertido é quase como chegar ao paraíso. Do contrário, para esse segundo cara passar a mesma sexta à noite totalmente sozinho vendo uma série na Netflix é pior do que tratar canal do dente, enquanto o introvertido está em pleno aconchego.

Tem mais: isso não quer dizer que são coisas que se anulam! Quer dizer, o extrovertido pode muito bem ter seus dias de ficar em casa lendo… E o introvertido pode tranquilamente aparecer naquela sua festa de aniversário no karaokê cheio sem se sentir mal. Tudo tem a ver com a energia mesmo. Principalmente quando você sabe escolher como e com quem quer compartilhar seus sentimentos.

Existem outros limites que dever ser respeitados e, por mais que você possa se sentir diferente, lembre-se que as pessoas são diferentes mesmo e que a vida não passa de um grande jogo de aceitação um do outro.

E a terceira: Estar fechado em um mundo mais restrito não quer dizer que ele seja pequeno. Pelo contrário! Enquanto houver uma mente ativa e disposta a prestar atenção nos arredores, bem como a criar muitas coisas, o seu universo acaba sendo muito, mas muito maior!

Ainda assim, sei o quanto é difícil para as pessoas entenderem isso. E como parte dos meus exercícios de reflexão, resolvi começar a escrever algumas das minhas histórias. Algumas coisas serão bem pessoais, mas pode ter certeza que não vai rolar uma exposição exagerada. Mesmo nas palavras, ainda sou um cara reservado! Hahahaha

Contando dessa forma, talvez fique mais fácil de entender.

Ou não. 🙂

Bem-vindo ao meu mundo. Ah, e ele não é pequeno!

*publiquei esse texto pela primeira vez no Wattpad, mas aos poucos vou transferir essa série para cá. 😉

Olá, meu blog novo!

Estou muito feliz por iniciar uma parceria contigo. Você tá aqui, novinho, acabou de nascer, mas eu já sou um pouco velho nas plataformas on-line.

Deixa eu te contar um pouco dessa história para que a gente possa fazer um combinado.

Meu primeiro espaço na internet foi um blog que criei em 2003. O nome dele era “Você entendeu, Gui!”, um trocadilho bobo, piada interna com uma amiga, resultado de tantas perguntas idiotas que fazia, me fingindo de bobo.

Nossa, eu adorava aquele blog! Escrevia uns textos imensos, a maioria sobre minha vida pessoal – como se acontecesse muita coisa interessante naquela época! Hahaha – mas também alguns pensamentos bem interessantes que adoraria reler.

O saudosismo não é só por conta do conteúdo. O mais legal de lembrar daquele espaço é que eu tinha um compromisso: todos os dias chegava da faculdade e alimentava com algum texto. Exceto, é claro, quando estava chateado e preferia ficar longe do computador. Aliás, é algo que eu deveria fazer sempre.

Pois é, novo blog, eu e os meus bodes!

Acontece que foi num desses dias de chateação que, de repente, deletei meu primeiro blog, sem um pingo de dor na consciência.

Perdi tudo, todos os textos legais que eu amaria reler e não terei mais a chance.

Claro que o arrependimento bateu e, depois de um tempo, fiz outro.

E, adivinha só? Teve o mesmo final!

E digo mais: o mesmíssimo final de todos os outros que vieram depois. Alguns continuam disponíveis pela web, mas ou já não lembro mais a senha de acesso ou o tema já perdeu a graça.

Esse sou eu, o cara que enjoa das coisas em 5 minutos, mas depois se arrepende.

Como não bastava ser assassino de blogs (e fotologs, shame on me), depois que comecei a publicar meus livros e contos, os pobrezinhos sofreram do mesmo problema. Se me dedicasse a escrevê-los em um mau dia, odiava e jogava tudo no lixo. Sem volta.

Me tornei um Rei Shariar dos meus textos, tamanho o desapego mortífero a eles.

E, claro, isso não está certo!

Sei que nem todas as ideias são aproveitáveis e que nem tudo o que eu tocar vai virar ouro. Mas entre Rei Shariar e Rei Midas, fico sem a coroa mesmo, desde que eu saiba dar o devido valor ao que produzo.

Já me fiz essa promessa milhares de vezes: nunca chegar perto da minha obra sem estar contente. Nunca consegui cumprir e percebi que eu nem preciso disso. Posso até chegar perto, só preciso contar até 10 antes de uma decisão precipitada.

Então, novo blog, não prometo que eu sempre vá te encontrar bem. Mas prometo que não vou deixar a tristeza sempre tomar as decisões no meu lugar. Prometo cuidar bem de você, tá bom?

Seja bem-vindo, novo blog!

Sejam bem-vindos, novos leitores!