Sempre…

Sempre haverá um livro de autoajuda dizendo que sua vida pode ser mais simples.

Sempre haverá uma lista com os dez hábitos das pessoas realmente felizes.

Sempre haverá uma música ou poema te dizendo para não se preocupar.

Sempre haverá uma blogueira te dizendo como se vestir bem para conseguir um emprego melhor ou como estar em um relacionamento duradouro. E outra te contando quais alimentos você pode ou não comer e em qual cidade você deve viver a partir de um rápido teste.

Você toma nota disso tudo, coloca em prática e ainda assim acorda num dia complicado, se pega triste e preocupado com algo relativamente banal. E ainda veste sua roupa velha manchada pra ir trabalhar, vê que está comendo uma coxinha gordurosa antes das 9 da manhã e continua procurando alguém pra namorar porque o último sumiu e bloqueou seu número.

Por fim, chora de cabeça cheia e tenta entender porque deu tudo errado com suas listas tão bem elaboradas.


Sendo que, na verdade, o erro foi um só: achar que a gente tem manual de instruções!

Remoto e Improvável na Amazon

Amigos, em 2019 Paloma e eu comemoramos 5 anos da publicação do nosso primeiro livro. Ele esgotou em todo lugar, mas agora temos duas ótimas notícias!
A primeira é que a versão e-book está disponível novamente na Amazon.
E a segunda é que você pode adquirir GRATUITAMENTE até dia 21/01. Quem ainda não leu, aproveite esta oportunidade. Espero que gostem do nosso primeiro filhote!

 

Impostor. Imperfeito. Impossível.

Essa semana postei uma pergunta nas minhas redes sociais:

Alguma vez você já sentiu que não era digno ou merecedor de algo extremamente bom que aconteceu na sua vida?

Muita gente me respondeu que se identificava com isso.
Outros me disseram que isso se chama Síndrome do Impostor: você, cheio das imperfeições, fica com a sensação de que vai ser descoberto a qualquer momento como uma fraude. Seja por problemas de autoestima ou por excesso de comparação com os outros.

Que bosta.
Que grande bosta.

A gente faz tanta coisa, se dedica, bota todo o comprometimento possível pra depois jogar tudo fora, só porque olhou pro lado e achou a grama do vizinho mais verde.
E a gente acha que isso não acontece com o vizinho, né? Mas a quantidade de mensagens que recebi essa semana só me mostrou o contrário.

Então, gente, quer saber, FODAM-SE AS NOSSAS IMPERFEIÇÕES!
Não tem essa de impostor aqui não.

Olha:

  • Eu sou preguiçoso.
  • Tomo vários remédios por dia pra controlar a ansiedade.
  • Travo pra falar em público.
  • Não me sinto confortável socializando. Muito menos abordando as pessoas pra divulgar meus livros.
  • As minhas ideias parecem muito mais geniais quando estão só na minha cabeça e, quando começo a colocá-las em prática, desisto.
  • Sempre fico com medo de não ser levado a sério profissionalmente porque as pessoas acham que tenho cara de moleque.
  • Sou desorganizado com a minha casa.
  • Esqueço de mandar mensagens para os amigos, mesmo amando cada um deles fortemente.
  • Me desespero com bobagens.
  • Sinto ciúmes.
  • Meu humor é péssimo de manhã e acho que as pessoas são obrigadas a entender isso.

Uma pequena lista, mas que cresceria mil vezes mais se eu tivesse mais tempo de ficar digitando aqui.

Enfim, quer dizer que por esses e tantos outros problemas que carrego eu não sou merecedor daquilo que conquisto? Para a minha cabeça, sim. E para a de tantas outras pessoas, também.

É, minha gente, não tem jeito! Seja impostor ou imperfeito, fica impossível não lutar com essa voz que nos joga no poço do desânimo.

A gente merece aquela coisa boa que apareceu sim.
E, se duvidar, merecemos até mais do que ela!

Brindemos às nossas imperfeições. 😉

Pessoas, colchões, dominós, quedas e por aí vai…

Se você estiver de pé em frente ao seu colchão, tem coragem de abrir os braços e se deixar cair? Ou você fica paralisado e não consegue?

Muitas vezes já me disseram que isso tem a ver com relaxamento e confiança. Será que você consegue relaxar a ponto de se jogar? E será que você confia que a queda não vai te causar nenhum dano?

Bom, isso varia de uma pessoa para a outra, a gente sabe. O que queria registrar hoje é que é possível traçar um paralelo disso com as nossas relações pessoais. Quando tudo está dando errado ou quando a correria mal nos deixa respirar, precisamos não apenas de relaxar, mas de nos jogar nos braços de alguém com o qual temos uma relação de confiança, para desabar sem medo de machucar, sabe?

No melhor dos mundos, isso é uma via de mão dupla. Por isso, muitas vezes também somos esse colchão na vida de alguém, aquela pessoa para a qual correm e desabam. E a gente segura as pontas, é claro, não apenas pela relação de confiança estabelecida, mas porque também aguentamos aquele peso temporário em nossas vidas.

E assim segue, umas horas a gente cai, outras horas precisamos cair. Se tem o que nos ampare, tá tudo certo.

Só que essa é uma situação ideal, né? O mais complicado (mudando a metáfora, porque sou cheio disso) é quando somos a última peça de um dominó enfileirado, sabe? Todas as outras vão caindo e sendo amparadas. A última não, coitada. Vai direto pro chão, sem apoio.

Aí você pensa: “mas a altura é tão pequena, que exagero!”. Será? Quem sabe o tamanho da queda é quem caiu, meu caro.

E aí, como é pra você? Tem algum colchão sempre pronto te esperando caso precise cair? E você consegue se jogar sem medo? Ou fica aquela pontinha de receio de ser a última peça do dominó?

Pensa nisso com carinho, às vezes você não sabe onde ou se pode cair. Mas sempre pode. E precisa! 😊

Uma festa por dia

No dia 22 de dezembro completaria 34 anos.

Pouco depois, haveria a festa de Natal da casa dos sogros em Indaiatuba.

Na semana seguinte, passaria a virada do ano em Punta del Este.

E desde julho estava ansiosa.

“Que roupa usar na festa? Qual cardápio servir? E as músicas? Preciso mandar fazer os convites, quero algo lindo! Ai, chega logo dia 22!”

“Que prato levar para a ceia de Natal? Alguma sobremesa também? Será que a sogra vai gostar? Ou será que vai comparar cada prato com sua própria versão, mais elaborada e preparada com dias de antecedência? Não seria melhor encomendar alguma coisa pronta e ficar despreocupada? Melhor né? Nossa, e os presentes de todo mundo, preciso fazer uma lista. Que gostoso! Ai, chega logo dia 24!”

“Levo minha própria toalha para o hotel em Punta? Nunca se sabe… Biquíni ou maiô? Pagar uma academia até dezembro para ficar mais em forma? Que tal algumas sessões de bronzeamento artificial para não chegar tão branca? Ah, uma câmera nova! Passaporte? Não precisa. Ai, qual marca de bronzeador levar? Com certeza shorts novos para o Rafael, os dele estão feios e desbotados e só de pensar nele desfilando de sunga e atraindo os olhares alheios… Ah, se bem que… Ele está comigo, não preciso me preocupar. Ai chega logo dia 27!”

Passou os meses seguintes planejando, pensando em roteiros, possibilidades, o que falaria, o que viveria, quais atitudes tomaria… Calculou cada passo, pensou em cada imprevisto… As duas últimas semanas do ano seriam perfeitas de qualquer maneira!

E foram! Não havia outra possibilidade.

Uma festa de aniversário mais que divertida, com as pessoas que mais amava.

Uma ceia de Natal repleta de elogios e presentes que agradaram a família do marido.

Uma viagem inesquecível, que garantiu aqueles momentos que se eternizam na mente como fotografias.

Mas, vieram janeiro e uma angústia gigante.

E agora?

“Em que focar meus planos? Como gastar meu tempo? Qual o sentido disso tudo? Meses organizando pra passar e virar saudade? Isso não tá certo!”

Choro. Desânimo. Angústia. Ficou arrasada e a falta de propósitos a levou para o fundo do poço.

Teria solução?

Pensou, pensou, planejou, planejou.

“Já sei!”

Como só estava feliz planejando e executando, tratou de organizar a vida da forma que melhor fazia.

Agora vivia uma festa por dia e tornou especial cada momento cotidiano.

O café da manhã reforçado da segunda-feira.

O jantar especial da terça.

O cinema na quarta.

Um bom vinho na quinta.

Uma transa animada na sexta que poderia se prolongar até o sábado.

O programa divertido de domingo à noite para tirar a sensação ruim de fim do fim de semana.

E, claro, todas as festas, viagens e programações especiais ao longo do ano.

Virou produtora e promotora de eventos para manter o coração em paz.

Às vezes se sentia fútil, é verdade.

Mas, ainda assim, nada como viver com algum propósito na vida, não é mesmo?